Mensagem aos Associados

29-03-2026

Texto lido na Assembleia Geral pelo presidente da Associação Trilhos de Esperança!


Como é do conhecimento de todos os Associados, a Associação Trilhos de Esperança tem como um dos seus pilares fundamentais "O Outro".

Este "outro" manifesta-se nas nossas actividades lúdico-culturais, nas acções de apoio social e, não menos importante, nas iniciativas de acompanhamento e crescimento espiritual. Afinal, o ser humano não é apenas "carne e osso", mas também espírito.

Ao longo destes oito anos de existência, nestes últimos quatro que têm como "marca" a consolidação e crescimento, o nosso percurso tem sido marcado por desafios e superações. O caminho nem sempre foi fácil — diríamos mesmo que tem sido exigente. No início, quando apresentámos este projecto, o entusiasmo era generalizado e a colaboração parecia garantida. Com o passar do tempo, alguns afastaram-se. Porquê? Talvez só eles o possam responder.

Contudo, optámos por manter sempre a porta aberta, para que, no dia em que desejem regressar, saibam que serão acolhidos — não como associados, mas como pessoas de bem e de humanidade, como todos nós procuramos ser.

Gerir uma associação, mesmo que de dimensão modesta, exige trabalho, dedicação e sacrifício — físico, psicológico e emocional. Quantas vezes quem está na direcção abdica de momentos com a família para se dedicar à Associação?

Porquê?

Por Amor e Dedicação ao Outro, sem nada esperar em troca.

Por vezes, esse mesmo "outro" não reconhece o alcance do esforço e da entrega que lhe são dedicados. Basta olhar para o número de presentes hoje, face ao universo de associados que temos.

Ainda assim, continuamos e continuaremos. A nossa matriz cristã recorda-nos que o caminho não é para desistir, mas para perseverar.

Perguntamo-nos se não sentimos pena dos que partem. Sim, sentimos. Mas também sabemos que não podemos reter quem não deseja caminhar connosco — seja no plano lúdico-cultural, social ou espiritual.

E, com igual firmeza, afirmamos que não há lugar entre nós para quem veja na Associação apenas um meio de alcançar algum "estrelato".

A verdadeira estrela são os Trilhos de Esperança.

Ficamos tristes quando nos interpelam perguntando quantas pessoas ajudamos, como se o valor do nosso trabalho se medisse em números. Tristes, porque os nossos associados sabem bem o quanto cada um contribui — com tempo, com bens, com dedicação, com amor.
A ajuda que prestamos não se resume a estatísticas; ela vive nos gestos, nas presenças, nas palavras de conforto e nas mãos estendidas a quem precisa. Cada acção, por mais pequena que pareça, tem um impacto profundo. E é isso que verdadeiramente conta: a intenção sincera de servir o outro, sem procurar reconhecimento, apenas movidos pela solidariedade e pela fé que nos une.

Ficamos tristes quando, ao lembrarmos os associados que há quotas em atraso, recebemos como resposta que "já não pretendem ser associados porque não participam nas atividades". Mas quantos associados, mesmo sem poder participar activamente, continuam a acreditar no nosso projecto e a assumir as suas responsabilidades como associados e da Associação?

Ser parte dos Trilhos de Esperança não se mede apenas pela presença física nas atividades, mas pela fé, confiança e compromisso com os valores que nos unem.
Cada associado que permanece, mesmo em silêncio, é um pilar que sustenta esta caminhada comum, feita de partilha, solidariedade e esperança.

A nossa incompreensão surge igualmente, quando vemos pessoas que, com entusiasmo, enviam mensagens, ligam e demonstram vontade de se tornarem associadas, mas depois desistem com uma frieza inexplicável.
Não compreendemos como se pode "apagar" tão rapidamente o desejo de fazer parte de algo que é construído com tanto amor, entrega e sentido de missão.
Ainda assim, mantemos o nosso propósito firme: acolher, compreender e continuar a caminhar, porque acreditamos que o verdadeiro valor está em quem permanece com o coração aberto e fiel aos Trilhos de Esperança.

Sem dúvida alguma que o sentimento de "desapontamento" nos toca quando alguns se juntam a nós apenas para beneficiar das nossas peregrinações, tornando-se "sócios por conveniência momentânea". Quando alcançam o seu objectivo, um dos primeiros gestos é deixar de pagar as quotas, esquecendo que ser associado é muito mais do que usufruir de atividades — é partilhar valores, compromissos e espírito de comunidade.

A Associação não vive de interesses passageiros, mas da entrega sincera de quem acredita no seu propósito.

Ser parte dos Trilhos de Esperança é caminhar com o coração aberto, com sentido de pertença e com vontade de contribuir para o bem comum.

Informamos ainda que, além dos sócios que foram excluídos este ano por falta de resposta às mensagens e até mesmo aos telefonemas, existem outros na mesma situação, que, embora respondam com um simples "obrigado pela informação", não procedem ao pagamento das quotas. Esta atitude entristece-nos, pois demonstra falta de compromisso e acima de tudo, falta de respeito pelo esforço colectivo que mantém viva a nossa Associação.

Queremos enaltecer todos os associados que permanecem ao nosso lado, firmes e leais, como uma família unida e indestrutível. São eles que, com o seu exemplo, demonstram que a força da nossa Associação está na união, na amizade e na partilha de valores.

Cada gesto, cada palavra de apoio e cada presença — mesmo discreta — reforça o espírito que nos move e dá sentido ao nosso caminho.

A todos os que continuam connosco, com fé, dedicação e esperança, o nosso profundo reconhecimento e gratidão.

Lisboa, 28 de Março de 2026

O Presidente da Direcção

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(Pedro Nuno Cordeiro Reis Pousadas)

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